Quando pensamos em Bélgica, alguns estilistas famosos que nos vêm à mente são Martin Margiela e Olivier Theyskens. Certo. Mas muitas vezes, esquecemos dos seis designers que efetivamente criaram a cultura de moda no país. Todos graduados entre 1980 e 1981 na Academia Real de Belas Artes, foram eles que consolidaram este país europeu como um importante centro produtor e consumidor de moda. A história é que, em 1988, os designers conhecidos como “Six d’Anvers” (os Seis da Antuérpia) alugaram um caminhão para mostrarem suas criações, apropriando-se do espaço e da atenção da semana de moda londrina. Um olhar mais atento às passarelas e ruas da capital belga hoje, mostra uma extravagância de formas que necessariamente é fruto da criatividade destes seis talentos.
Ann Demeulemeester estuda shapes que esbarram no minimalismo intrincado. Experimental, mas usável, seu maior truque é jogar com texturas em diferentes materiais: algodão e pele se misturam a franjas e tricots em looks masculinizados talvez inspirados em Patti Smith – a musa punk que às vezes cria trilhas originais para os desfiles da estilista.

Dois looks da estilista em diferentes momentos de sua carreira (Foto: Reprodução)
Outro notável, e premiado inclusive em 2008 pelo Council Fashion Designers of America é Dries van Noten. O estilista que vestiu Cate Blanchett no Oscar deste ano também é conhecido pela experimentação em camadas. Referências étnicas também pontuam as cores de suas coleções de passarela e comerciais.
O mais colorido de todos talvez seja Walter van Beirendonck – este excêntrico designer recheia suas criações com citações do imaginário sado-masoquista, além de figurar como personagem cartoon de suas próprias criações. Suas cores são bem primárias e chapadas, apelando muitas vezes para contrastes visualmente impactantes. Sua paixão confessa, a ficção científica, o fez famoso atualmente por ter lançado uma linha para o ambiente virtual Second Life (os W-Avatars).

Um look recente e o estilista em si (Foto: Divulgação)
Dirk Bikkembergs, dos seis, deve ser o maior sucesso comercial na Europa, hoje. Tudo motivado pela sport-couture, onde ele encontra sua inspiração e seu maior público – aficionados por futebol. Tudo transpira masculinidade em suas criações: uso de materiais como couro e metal em peças de inspiração militarista, silhuetas que marcam o desenho dos músculos em linhas austeras...
Outro Dirk - Dirk van Saene - provavelmente é o mais low-profile dos seis. Tendo experimentado grande destaque nos anos 80 com sua loja “Beauties & Heroes” (onde tudo era produzido num esquema home-made), o mais mutável do grupo mistura materiais diversos como látex transparente e delicadas toalhas de mesa em xadrez.
Marina Yee se destaca por ser engajada socialmente – este ano, ela contribuiu com um desenho original para o projeto Designers Against AIDS. Visite o : site. Marina é também organizadora da efervescente moda da cidade. Ela é responsável por agitar pequenos bazares e pontas de estoque para jovens estilistas e designers.
Aliás, mesmo entre os estilistas não tão consagrados fora do mercado belga, percebe-se um bonito cuidado com as imagens de moda. Benoit Couitiez, de Bruxelas, por exemplo, desenha para uma mulher meio perua, e mesmo por isso, seu acabamento é esmerado.
Amandine Jehin é recém-formada e mora na pequena cidade de Namur. Ela se exercita em formas geométricas que recordam o japonismo dos anos 80. Foi a vencedora do Prix Modo 2007 da Haute École Francisco Ferrer, onde estudou.

Look estilo kimono e arte do trabalho de conclusão de curso (Foto: Reprodução)
Mas se seu gosto é mais colorido, os coletivos Hell’O Monsters e My Daily Wood tem um jeitinho mais streetwear com produções pequenas. Eles no design gráfico (com camisetas incríveis à venda online na Extrabold) e elas vendendo online também peças únicas pelo site da marca.
E por fim, o luxo belga tradicional... Le Fabuleux Marcel de Bruxelles, uma malharia que já vestiu desde Leonardo DiCaprio em Diamante de Sangue até Warren Beatty em Bonnie e Clyde, passando pela masculinizada tenente Ripley de Sigourney Weaver, em toda a série Alien. E falando em DiCaprio, ele também usou uma marca belga em Titanic: era a tradicional SCABAL, uma prestigiosa alfaiataria que fez seu nome por toda a Europa através da Savile Row.